Engenharia de requisitos · agentes de IA · sistemas legados
Especificação Conversacional Estruturada
Um workflow proposto para usar modelos de linguagem (LLMs, os sistemas de IA que geram texto) na descoberta e no registro de requisitos. Quem decide são pessoas com autoridade, e as divergências entre documentação, testes e código ficam rastreáveis.
Proposta Enquadramento em desenvolvimento. O workflow completo ainda não foi comparado a uma linha de base; os componentes têm evidência parcial.
Figura 1 · O conflito que atravessa a página Cenário ilustrativo
Por onde você entra?
Um pedido de modernização mistura sintomas, necessidades, objetivos e uma solução já escolhida.
Ir à causa → “O agente gera código mais rápido do que conseguimos revisar.”Quem decide o quê, e o que a IA pode fazer em cada decisão.
Ver a matriz de autoridade → “A documentação diz uma coisa, os testes outra e o código uma terceira.”Uma política para detectar, classificar e decidir cada divergência, com registro.
Ver a política de divergência → “Já praticamos TDD (escrever o teste antes do código). Isso não basta?”O TDD verifica; a especificação decide o que verificar.
Ver a diferença →- Formato
- Ensaio
- Profundidade
- Leitura aprofundada · ~9 min para a ideia central · ~23 min completo
Prefere o essencial antes? Ler a síntese (~1 min)
Vídeo
Assista à introdução
Uma visão geral sobre como preservar a intenção do negócio no desenvolvimento de software impulsionado por IA.
Vídeo de introdução à proposta de Especificação Conversacional Estruturada, apresentado por Maurício Yokoyama Issei.
O problema Síntese
Gerar código mais rápido não preserva, por si só, a intenção de negócio
Agentes de IA interpretam instruções, consultam arquivos, propõem alterações, geram código e executam testes. Isso reduz o esforço de implementar, mas não garante que a solução corresponda ao problema que deveria resolver.
Quando o agente encadeia tarefas, uma interpretação incompleta atravessa vários artefatos antes de alguém percebê-la. O risco não é só o código errado: é uma interpretação ainda não validada virar uma implementação aparentemente consistente. Em sistemas legados (sistemas antigos que seguem em produção), o conhecimento de negócio está espalhado entre código, integrações, documentação desatualizada e a memória de poucas pessoas.
Nem o ganho de velocidade é consenso. Em uma tarefa controlada, desenvolvedores com IA terminaram mais rápido (Peng et al., 2023). Em um estudo com 16 desenvolvedores experientes e 246 tarefas reais, o uso de IA aumentou o tempo em 19% (Becker et al., 2025, preprint, ainda sem revisão por pares). Esta página não trata de velocidade, e sim do que se perde entre a conversa e o código.
Figura 2 · A cadeia de transformações
- conversa
- resumo
- requisito
- design
- tarefa
- código
- teste
- produto
- Perder contexto: o resumo descarta o que parecia detalhe.
- Introduzir inferência: o modelo preenche uma lacuna com algo plausível.
- Criar contradição: dois artefatos passam a dizer coisas diferentes.
Mesma falha, vista na produção: O Crash Silencioso. Base: Hou et al. (2024), revisão sistemática; atesta o uso amplo de LLMs em engenharia de software, não a eficácia deste workflow.
A causa Cenário ilustrativo
Um pedido de modernização mistura quatro coisas diferentes
O cenário, construído para esta página, é a modernização de um sistema comercial com mais de 15 anos: propostas, condições comerciais, aprovações, contratos e integração com o faturamento. As mudanças levam semanas, e poucas pessoas conhecem todas as regras. A diretoria pede:
“Precisamos modernizar esse sistema, migrando para uma arquitetura mais atual(solução pressuposta), sem interromper a operação(objetivo) e sem perder as regras de negócio existentes(objetivo).”
A frase expressa uma intenção legítima, mas não diz o que preservar, o que mudar nem como medir o sucesso. Ela junta sintomas, necessidades a investigar, objetivos e uma solução já escolhida, e cada categoria pede um tratamento diferente.
| Categoria | No cenário | Tratamento |
|---|---|---|
| Sintomas | mudanças demoradas, incidentes recorrentes, dependência de especialistas | investigar a causa |
| Necessidades a investigar | reduzir custo e risco das mudanças; depender menos de conhecimento tácito (o que as pessoas sabem e nunca escreveram) | confirmar com evidência |
| Objetivos declarados | “sem interromper a operação”, “sem perder as regras” | tornar verificáveis (quais regras?) |
| Solução pressuposta | “arquitetura mais atual” | avaliar como alternativa, não como requisito |
Há uma segunda causa, decisiva em legado: o comportamento atual do sistema não é necessariamente o comportamento desejado. Uma regra pode ser preservada, corrigida, substituída ou descontinuada, e a decisão depende de evidência e de autoridade de negócio, não do que o código executa hoje.
O pedido vira, então, uma sequência de decisões. Em cada etapa há um ponto em que a IA ajuda e outro em que ela pode distorcer, mapeados em Etapa por etapa.
Ver também: formular o problema antes de comprometer a solução e o levantamento do estado atual (As-Is) em legado Salesforce. Base: ISO/IEC/IEEE 29148:2018 (verificação e validação são distintas); NASA Systems Engineering Handbook (necessidades não prescrevem solução); Ferrari et al. (2016) e Burnay et al. (2014) (ambiguidades e omissões revelam conhecimento tácito; por isso vale conversar com operação, suporte e integrações, e não só ler o código).
A solução proposta Proposta
A IA pode ampliar a investigação; pessoas com autoridade decidem
Especificação Conversacional Estruturada é um workflow humano–IA, governado por artefatos e por autoridade humana, para elicitar, registrar, testar e evoluir a intenção de um sistema como requisitos e critérios verificáveis. Fontes, incertezas, decisões e forma de verificação ficam explícitas.
O modelo pode perguntar, resumir, propor cenários, apontar contradições, recuperar contexto e preparar mudanças. Por padrão, não recebe autoridade para decidir valor, risco, conformidade, aceitação ou verdade de domínio. A posição é compatível com as atividades de elicitação, análise, validação e gestão descritas na ISO/IEC/IEEE 29148 e no SWEBOK (o guia de conhecimento de engenharia de software da IEEE Computer Society). A proposta explora como a IA pode apoiar essas atividades, sem substituí-las.
| Conversar com IA | Especificação conversacional estruturada |
|---|---|
| Histórico livre, sem estado governado | Artefatos versionados, com ID, responsável e política de mudança |
| O objetivo muda sem registro | Problema, critério de sucesso, escopo e fora de escopo explícitos |
| A decisão fica implícita na resposta | Decisões, alternativas rejeitadas e perguntas abertas registradas |
| Fluência é o critério percebido | Critérios de aceitação e verificação auditáveis |
| O prompt pode ir direto ao código | Especificação → revisão → testes → implementação → validação |
| Divergência entre spec e código é invisível | Divergência detectada por links, testes e revisão |
| A IA pode parecer autoridade | A IA propõe; pessoas designadas decidem |
Spec-first
Finalidade: alinhar a intenção antes do código.
Risco: congelar cedo uma interpretação do modelo.
Spec-retrospectiva
Finalidade: reconstruir a intenção a partir de código, logs e incidentes.
Risco: dar coerência ao que foi acidental.
Em legado, os dois modos aparecem.
A objeção mais forte: isso é engenharia de requisitos com outro nome?
Em boa parte, sim. A contribuição possível é de interface e de orquestração, e só existe se o workflow especificar entradas, portões de revisão, tipos de artefato, autoridade, proveniência (o registro de origem e de quem decidiu), política de divergência e métricas. Conversar com a IA e sair com um arquivo Markdown não é isso.
O que não é
- Método validado ou norma.
- Substituto de engenharia de requisitos, arquitetura, segurança ou governança.
- Validação de negócio por aprovação em chat.
- Garantia de completude, de ausência de alucinação ou de fim da divergência entre artefatos.
- TDD, BDD ou Example Mapping com outro nome.
Nota de terminologia
Este enquadramento já foi chamado de Vibe Spec-ing. O nome mudou porque “vibe” sugere o contrário do que a proposta exige: registro, autoridade e verificação. Rótulos parecidos (vibe specs, vibe speccing) circulam informalmente para entrevistas com IA antes do código ou para especificações geradas de logs de agentes.
Prática relacionada: Vibe Coding com Devin, que esta proposta complementa, e a governança agent-driven. Base: SWEBOK Guide v4.0a (área de Requisitos), como referência disciplinar. Böckeler/Thoughtworks (2025) descreve “spec-driven development” como rótulo instável (spec-first, spec-anchored, spec-as-source); os usos informais (marmelab, Bechtel, McGuinness) são uso, não evidência.
O workflow inteiro Proposta
Etapa por etapa: o que a IA acelera e o que pode distorcer
Quem conhece Design Thinking reconhece quatro das cinco etapas. A quinta, especificar e evoluir os artefatos, é o acréscimo da engenharia de requisitos. Em cada etapa o ganho vem junto com um risco conhecido e um controle. É um ciclo, não uma sequência: qualquer etapa volta à anterior quando surge evidência nova. O vocabulário do Design Thinking serve de mapa; não é apresentado como prova de nada.
| Etapa | Onde a IA ajuda | O que pode distorcer | Controle | Seção |
|---|---|---|---|---|
| Descobrir | sugerir perguntas e apontar tópicos que ninguém mencionou | resumo que deforma relatos; personas sintéticas (usuários simulados por IA) podem ancorar estereótipos; ilusão de completude | registrar a origem; conferir com a observação da operação e a inspeção do legado | Protocolo |
| Definir o problema | pode ajudar a separar sintoma, necessidade, objetivo e solução presumida | hipótese de resultado virar requisito; solução congelada cedo | decisão humana antes de formalizar; validar o entendimento não é validar o resultado | Causa |
| Explorar exemplos | gerar casos normais, de limite e negativos | especificação fluente que esconde premissa falsa; conflito harmonizado em silêncio | exemplos validados por quem conhece o domínio; conflito preservado, não resolvido pelo modelo | Protocolo |
| Especificar e evoluir | estruturar a especificação e propor links de rastreabilidade | drift (a especificação e o código se afastam sem que ninguém perceba); perda de quem decidiu, com que evidência e o que foi rejeitado | política de divergência; proveniência; rastreabilidade (a ligação entre decisão, regra, teste e código); histórico que não apaga versões | Divergência |
| Testar e validar | traduzir critérios em testes e apoiar testes de caracterização | teste verde contra critérios de aceite errados, escritos pela própria IA | critérios de aceite definidos por pessoas; testes independentes | TDD |
O protocolo Proposta Cenário ilustrativo
Cinco práticas para que a saída da IA possa ser contestada
Nesta proposta, a contribuição do modelo só conta quando suas saídas podem ser examinadas e contestadas. Comece por um fluxo representativo, não pelo sistema inteiro. No cenário, a aprovação de proposta com desconto excepcional.
- Registrar a origem de cada afirmação.
Entrevista, documento, inspeção de código, observação operacional, inferência ou decisão formal. A conversa com o modelo não substitui observar a operação nem inspecionar o legado: as fontes se conferem umas às outras.
- Separar fatos, hipóteses e propostas.
Uma resposta plausível do modelo não é evidência de que a regra existe.
- Manter as pendências visíveis.
Incerteza relevante fica aberta, com responsável, até ser resolvida ou aceita como risco.
- Usar exemplos e contraexemplos.
Situação normal, limite e exceção. No cenário: dentro do limite, aprovação automática; acima, pessoa autorizada e justificativa; dados incompletos, a proposta não avança; valor alterado após a aprovação, pode exigir nova avaliação. São hipóteses até a confirmação. O modelo sugere casos; não os promove a regra aprovada.
- Revisar na proporção do risco.
Decisões comerciais, regulatórias e de integração crítica passam por quem tem autoridade.
Não é burocracia para cada frase: é conseguir distinguir o que se sabe, o que se supõe e o que se decidiu. E validar o entendimento não é validar o resultado. A conversa pode revelar se as pessoas entendem a regra de jeitos diferentes, não que a modernização vai reduzir incidentes.
Figura 6 · Registro de afirmação (cenário ilustrativo)
# Cenário ilustrativo — fluxo: aprovação de proposta com desconto excepcional
id: AF-012
afirmacao: >
Proposta com desconto acima do limite exige aprovação
de pessoa autorizada e registro da justificativa.
status: hipotese # [2] fato | hipotese | proposta | decisao
origens: # [1]
- entrevista: operação comercial
- inspecao_de_codigo: rotina de aprovação do legado
- documento: manual de procedimentos (desatualizado)
limite_de_desconto: nao_conhecido # [3] as fontes divergem
exemplos: [EX-01, EX-02, EX-03] # [4] normal, limite, exceção
sugerido_pela_ia: [EX-03] # [4] candidato; não é regra aprovada
risco: alto # [5] exige revisão de quem tem autoridade
decide: responsável pela política comercial
pendencia: aberta
nao_conhecido, que é o ponto da prática 3.- [1]
origens: de onde vem a afirmação. - [2]
status: fato, hipótese, proposta ou decisão. - [3]
nao_conhecido: a pendência fica visível. - [4]
exemplosesugerido_pela_ia: casos normais, de limite e de exceção; a sugestão não é regra. - [5]
riscoedecide: a revisão exigida e quem decide.
Ver também: Revelar o Implícito (inventário do estado atual), quando parar de investigar e conhecimento tipado e endereçável. Base: NIST AI 600-1 trata a confabulação (respostas plausíveis e falsas) como risco a gerenciar; W3C PROV-DM oferece um modelo de proveniência; Parasuraman & Manzey (2010) e Buçinca et al. (2021) documentam o viés de automação, e a função de forçamento cognitivo reduziu a dependência da IA em experimento; SWEBOK lista as fontes de requisitos que sustentam a prática 1.
Governança Proposta
Quem decide o quê, e o que a IA pode fazer em cada decisão
A matriz separa autoridade de assistência. É uma política de governança proposta, a ajustar à estrutura de responsabilidade de cada organização, e não uma exigência de norma.
Quando o agente também executa ferramentas, altera arquivos ou aciona pipelines, os controles passam a cobrir permissões, escopo de execução, revisão de mudanças e condições de interrupção: gerar uma sugestão e executar uma ação são níveis diferentes de autonomia. A linha dos critérios de aceite liga esta seção a TDD: a IA pode escrever o código do teste, mas o resultado esperado vem de quem tem autoridade sobre a regra.
| Decisão | Autoridade primária | Contribuição possível da IA |
|---|---|---|
| Valor e prioridade de negócio | Produto e negócio | Comparar alternativas e impactos |
| Preservar ou alterar regras comerciais | Responsáveis pelo domínio | Identificar ambiguidades e casos-limite |
| Critérios de aceitação | Negócio e engenharia | Propor formulações e exemplos de teste |
| Arquitetura | Engenharia responsável | Sugerir alternativas e trade-offs |
| Compatibilidade de integrações | Engenharia e responsáveis pelas integrações | Mapear contratos e possíveis impactos |
| Aceitação de risco residual | Responsáveis formalmente designados | Identificar cenários e apoiar a análise |
| Redação da especificação | Equipe responsável, com revisão | Estruturar e reformular conteúdo |
| Critérios de aceite (o resultado esperado) | Negócio e engenharia | Gerar candidatos para validação |
| Código de teste | Engenharia e QA | Escrever o código; os critérios vêm da linha acima |
| Classificação de uma divergência | Responsável pelo artefato afetado | Detectar possíveis conflitos |
| Modelo / agente | Nenhuma autoridade substantiva por padrão | Propor, recuperar, transformar; executar só no escopo autorizado |
Ver também: De Executor a Orquestrador Cognitivo e Você não é mais um executor, sobre o papel humano que a matriz formaliza; Autonomia não é autoridade: o Action Gateway, sobre os controles quando o agente executa. Base: a redação é inspirada na função Govern do NIST AI RMF 1.0 (papéis e prestação de contas); NIST AI 600-1 (configuração humano–IA); ISO/IEC/IEEE 29148 (partes interessadas e gestão de requisitos).
Divergência Proposta Cenário ilustrativo
Nenhum artefato, sozinho, preserva a intenção
Documentação, testes e código tendem a divergir à medida que o sistema evolui. O que importa é quem resolve, como, e onde a decisão fica registrada.
Cada artefato tem uma responsabilidade e um limite. As regras de negócio registram políticas aprovadas, mas não garantem a implementação. Os testes de caracterização registram o legado, inclusive defeitos e regras obsoletas. O código implementa uma versão, mas não comprova aderência à intenção. Não há fonte universal de verdade.
A divergência (em inglês, drift) é a situação em que artefatos que deveriam dizer a mesma coisa passam a dizer coisas diferentes. A política proposta tem cinco passos, mostrados abaixo no exemplo do desconto.
Figura 8 · Um conflito, do início ao fim (DIV-007 → DEC-031)
- Identificar
O teste de caracterização mostra que o legado aprova um desconto acima do limite sem aprovação. A regra AF-012 diz o contrário.
- Classificar a causa provável
Informação incompleta, defeito, mudança de regra, obsolescência ou erro de implementação. Aqui, provável defeito; a hipótese ainda não é decisão.
- Identificar quem decide
O responsável pela política comercial.
- Registrar a decisão
DEC-031, com justificativa, impacto e artefatos afetados.
- Atualizar e verificar de novo
Um teste de aceitação com os critérios de aceite em AF-012 e DEC-031. O teste de caracterização fica, rotulado como evidência sobre o legado.
O caso inverso: se o código novo não satisfaz um critério aprovado, mudar o critério exige decisão explícita. Editar o teste para ele passar é uma decisão sem registro. A rastreabilidade vale nas duas direções (decisão → critério → teste → componente; falha → regra a revisar), com profundidade proporcional à criticidade e à exigência de auditoria. O objetivo não é impedir toda divergência, mas torná-la detectável, explicável e tratável.
| Situação identificada | Tratamento proposto |
|---|---|
| Comportamento intencional e ainda válido | Preservar e documentar |
| Defeito conhecido | Corrigir com aprovação e testes |
| Regra obsoleta | Descontinuar mediante decisão explícita |
| Informação insuficiente | Investigar e manter a pendência visível |
| Dependência de integração | Definir compatibilidade e estratégia de transição |
Os oito artefatos, sua responsabilidade e seu limite
| Artefato | Responsabilidade | Limite |
|---|---|---|
| Contexto e objetivos | Registrar o problema e os resultados esperados | Não comprova que a solução alcançará os resultados |
| Regras de negócio | Registrar políticas aprovadas | Não garante a implementação correta |
| Exemplos e critérios de aceitação | Expressar comportamentos esperados | Não garantem a completude do domínio |
| Testes de caracterização | Registrar comportamentos observados no legado | Podem capturar defeitos e regras obsoletas |
| Testes de aceitação e regressão | Verificar comportamentos selecionados | Não comprovam todas as propriedades do sistema |
| Contratos de integração | Definir compatibilidade esperada | Não eliminam todos os riscos de evolução |
| Registros de decisão | Preservar justificativas e alternativas consideradas | Não garantem que uma decisão continuará adequada |
| Código | Implementar o comportamento em uma versão específica | Não comprova, por si só, aderência à intenção |
Os dez estados de uma divergência
não conhecidoambíguospec desatualizadateste sem requisitorequisito sem testecódigo fora da specprodução divergenterisco aceitobloqueadoresolvido
No workflow proposto, o agente não harmoniza silenciosamente versões conflitantes: se não puder demonstrar a relação, registra “não conhecido”.
Os modelos de registro de divergência e a lista de estados estão no kit: baixar o kit (.md).
A mesma tese pelo ângulo do grounding (ancorar a resposta em fontes): Cinco fontes de verdade, cada uma com autoridade limitada e Evidence Record: o recibo de cada validação. Para a arquitetura auditável, ver Arquitetura de IA auditável. Base: Gotel & Finkelstein (1994) sobre rastreabilidade antes e depois da especificação; Rempel & Mäder (2017) associam rastreabilidade mais completa a menos defeitos, em 24 projetos de código aberto (associação, não causa); Fucci et al. (2022) mostram que links ausentes entre requisitos e testes impediram avaliar uma intervenção de qualidade.
Especificação e TDD Síntese Evidência
A especificação decide o que verificar; o TDD verifica
Um termo antes de seguir: critérios de aceite são a fonte do resultado esperado com o qual o teste compara o comportamento observado.
A diferença entre as abordagens é a unidade de controle. O TDD (escrever um teste que falha, o código mínimo para ele passar, e então refatorar) responde “qual é o próximo menor incremento e como verifico que ele continua funcionando?”. A especificação responde “qual problema, para quem, com quais regras, restrições e critérios?”. O TDD torna o feedback barato; não torna os critérios de aceite corretos. Sem intenção e escopo, o TDD pode testar a coisa errada com eficiência. Sem critérios de aceite executáveis, a especificação pode documentar uma intenção errada.
Há um risco específico de agentes: quando o mesmo modelo escreve a especificação e os testes, um teste verde pode apenas confirmar o erro do próprio modelo. O controle é o resultado esperado ser definido ou validado por pessoas antes de o teste ser gerado (a linha dos critérios de aceite em Quem decide o quê), e cada critério crítico ter ao menos um teste que não nasceu do mesmo prompt nem do mesmo contexto.
Em legado, três tipos de teste têm papéis diferentes: caracterização (o que o legado faz hoje), aceitação (os critérios aprovados) e TDD (a implementação local). Uma sequência possível: caracterizar o legado, validar as regras com quem decide, escrever testes de aceitação, implementar com TDD, comparar resultados e liberar com monitoramento, critério de interrupção e reversão.
Figura 10 · O mesmo fluxo, duas perguntas diferentes Cenário ilustrativo
// Caracterização: registra o que o legado FAZ hoje — não o que deve fazer.
// Divergência DIV-007 aberta: a política atual proíbe este comportamento.
test('legado: aprova desconto acima do limite sem aprovação', () => {
expect(legado.avaliar(propostaAcimaDoLimite()).status).toBe('APROVADA');
});
// Aceitação: os critérios de aceite vêm de AF-012, confirmados na decisão DEC-031.
// O teste verifica a regra; quem a definiu foi o responsável pela política.
test('proposta acima do limite aguarda aprovação e exige justificativa', () => {
const r = avaliarProposta(propostaAcimaDoLimite());
expect(r.status).toBe('AGUARDANDO_APROVACAO');
expect(r.pendencias).toContain('JUSTIFICATIVA');
});
Especificação × TDD, critério a critério
| Critério | Especificação conversacional | TDD |
|---|---|---|
| Propósito | Reduzir a perda de intenção entre conversa, requisitos, código e testes | Guiar design e implementação incremental por testes executáveis, com feedback rápido |
| Unidade de controle | Intenção de produto, regras, restrições e critérios | Comportamento observável do código, em geral função, classe ou módulo |
| Critérios de aceite | Só é verificável se cada requisito tem condição observável, limites e procedimento; texto fluente ou aprovação humana não basta | Um teste verde garante apenas que o comportamento exercitado satisfaz os critérios de aceite codificados naquele ambiente |
| Divergência | Risco elevado de spec drift; exige política explícita, versionamento e detecção | Detecta regressão no que é exercitado; testes podem ficar obsoletos ou ser alterados para acomodar o código |
| Evidência | Componentes com estudos isolados; workflow completo sem estudo localizado | Efeito pequeno e contextual (ver abaixo) |
A evidência sobre o TDD é maior que a deste workflow, e contextual. Rafique & Mišić (2013), em uma meta-análise de 27 estudos, encontraram efeito pequeno em qualidade e pouco ou nenhum em produtividade. Tosun et al. (2017), com 24 profissionais, não acharam diferença estatística de qualidade externa e viram queda de produtividade na tarefa complexa em código existente. Nagappan et al. (2008), em quatro equipes de IBM e Microsoft, observaram densidade de defeitos 40–90% menor e 15–35% mais tempo de desenvolvimento, com ameaças à validade declaradas pelos autores. Liu et al. (2023, EvalPlus) mostraram que testes ampliados encontram erros que os testes originais deixam passar. A conclusão é que a proposta não reivindica superioridade sobre o TDD nem o substitui: fornece contexto e decisões; o TDD fornece feedback local e proteção contra regressão.
Ver também: a falha que 54 testes não pegaram, Passar no teste não é o mesmo que estar certo, da spec ao Apex Test, na prática Salesforce, a mesma lógica em acessibilidade e do legado (As-Is) ao alvo (To-Be). Base: Beck (2002), TDD; Feathers (2004), testes de caracterização em código legado.
Medir e limites Não validado Evidência
O que medir, e o que esta proposta ainda não prova
Uma modernização não está concluída porque o código foi reescrito. Os indicadores abaixo precisam de definição operacional, linha de base e período de observação; mais documentos ou testes não provam, sozinhos, que o sistema ficou mais sustentável. As definições completas (recall de requisitos, ambiguidade residual por 100 requisitos, precisão e recall de links, métricas DORA) estão no kit.
Processo
- Regras críticas identificadas e validadas.
- Critérios cobertos por ao menos um teste independente (não gerado do mesmo prompt da especificação).
- Divergências entre especificação, testes e produção por release, por gravidade.
- Afirmações e decisões com proveniência completa: fonte, autor, data e justificativa.
- Tempo para reconstruir a justificativa de uma decisão antiga.
Resultado operacional
- Tempo para entender e implementar uma mudança de regra.
- Incidentes, regressões e correções emergenciais após a liberação.
- Retrabalho atribuído à divergência entre intenção e implementação, mensurável porque a política de divergência classifica a causa.
Escada de evidência
Subir um degrau exige evidência nova; o degrau de baixo não prova o de cima.
- 1. Capacidade do agente Estudado em tarefas isoladas
- 2. Qualidade do artefato Estudado em tarefas isoladas
- 3. Resultado da tarefa Sem estudo do workflow completo
- 4. Resultado operacional Sem estudo do workflow completo
- 5. Resultado de negócio Sem estudo do workflow completo
O que a literatura permite dizer hoje
LLMs mostram capacidade parcial em tarefas controladas de elicitação, geração de especificação e detecção de ambiguidade, com falhas em terminologia de domínio, interfaces e restrições. A pesquisa é majoritariamente de laboratório, e LLMs como revisores de requisitos tiveram resultados inconsistentes. Não foi localizado estudo controlado ou longitudinal do workflow completo frente a uma linha de base alinhada à ISO/IEC/IEEE 29148 e ao SWEBOK.
Como avaliar no seu contexto
Um desenho de avaliação proposto para este contexto, não um protocolo validado.
- Montar um pacote de referência independente
Necessidades, regras, restrições e casos de fronteira, antes ou em paralelo à elicitação.
- Conduzir a elicitação com IA registrando a fonte
Separando fato, inferência e proposta.
- Revisão independente
Por pelo menos duas pessoas do domínio.
- Medir em quatro pontos
Depois da definição, da especificação, da implementação e da operação.
- Publicar prompts, versões de modelo, artefatos e decisões de adjudicação
Respeitando a privacidade.
- Tratar qualquer melhoria como evidência local
Não como validação geral do workflow.
A comparação com uma linha de base humana ou híbrida e as hipóteses H1–H4 estão no kit.
Ver também: como refutar uma hipótese, o que um artigo ainda não prova, sustentação, para incidentes e correções emergenciais como indicador, e o custo total da IA, inclusive inferência e revisão. Base: ISO/IEC/IEEE 15939:2017 (medição com linha de base) e ISO/IEC 25010:2023 (qualidade de produto) servem de referência para definir indicadores; DORA (tempo de entrega, falha de mudança, recuperação) entra como indicador operacional. Os estudos de LLMs em requisitos estão no grupo 2 das Referências.
Por onde começar
Comece por um fluxo, não pelo sistema inteiro
Escolha um fluxo representativo, aplique as cinco práticas, registre a primeira divergência e decida quem a resolve. Sem promessa de resultado: o objetivo é ter algo que possa ser examinado e contestado.
Kit de artefatos (Markdown)
- Matriz de autoridade editável, com a coluna de revisão obrigatória.
- Modelo de registro de afirmação.
- Registro de divergência, com estados e roteamento por tipo de conflito.
- Checklist mínimo de divergência (drift).
- Protocolo de avaliação resumido: hipóteses, linha de base, métricas e escada de evidência.
Continue no ecossistema
A Engenharia da Confiança
O arcabouço de governança de onde vêm o inventário do estado atual e a separação entre fato, inferência e julgamento.
Arquitetura de IA auditável
Rastreabilidade e reversibilidade como princípios verificáveis.
Vibe Coding com Devin
Como a spec entra na prática: o agente executa a tarefa, e a equipe revisa e decide.
Procedência
Referências e procedência
Normas e guias são fundamento do desenho, não experimento: nenhuma delas valida este workflow. As referências estão agrupadas pelo tipo de evidência.
1. Normas e guias
- ISO/IEC/IEEE 29148:2018 — Requirements engineering
- SWEBOK Guide v4.0a — Software Requirements
- NIST AI RMF 1.0
- NIST AI 600-1 — Generative AI Profile
- ISO/IEC/IEEE 15939:2017 — Measurement process
- ISO/IEC 25010:2023 — Product quality model
- W3C PROV-DM
- NASA Systems Engineering Handbook — Stakeholder Expectations
- DORA — métricas de entrega de software
2. Estudos empíricos
- Ferrari et al. (2016) — Ambiguity and tacit knowledge in elicitation interviews
- Burnay et al. (2014) — What stakeholders will or will not say
- Rempel & Mäder (2017) — Traceability completeness and software quality
- Gotel & Finkelstein (1994) — An analysis of the requirements traceability problem
- Fucci et al. (2022) — When traceability goes awry
- Rafique & Mišić (2013) — Meta-análise de TDD
- Tosun et al. (2017) — Industry experiment on TDD
- Nagappan et al. (2008) — TDD em quatro equipes industriais
- Ronanki et al. (2023) — ChatGPT e elicitação de requisitos
- Krishna et al. (2024) — LLMs em especificações de requisitos
- Bashir et al. (2025) — Detecção de ambiguidade com LLMs
- Zadenoori et al. (2025, preprint) — LLMs para engenharia de requisitos
- Hou et al. (2024) — LLMs em engenharia de software
- Seifert et al. — LLMs × revisores humanos de requisitos
- Montgomery et al. (2022) — Qualidade de requisitos
- Peng et al. (2023) — IA e produtividade (Copilot)
- Becker et al. (2025, preprint) — IA e desenvolvedores experientes
- Liu et al. (2023) — EvalPlus
- Parasuraman & Manzey (2010) — Complacency and bias in human use of automation
- Buçinca et al. (2021) — Cognitive forcing functions
- Norheim et al. (2024) — Challenges in applying large language models to requirements engineering tasks, Design Science, 10, e16
3. Prática e livros
- Beck (2002) — Test-Driven Development: By Example
- Feathers (2004) — Working Effectively with Legacy Code
- Cucumber — Example Mapping
- Böckeler/Thoughtworks (2025) — Understanding Spec-Driven-Development
- GitHub Spec Kit
4. Uso informal do rótulo (uso, não evidência)
- marmelab (2025) — vibe-spec
- Bechtel — Vibe Specs
- McGuinness — texto sobre entrevistar o usuário antes da implementação
5. Páginas do autor
Autorais: evidência do que o autor afirma, não validação independente.
Procedência: síntese de documentos de pesquisa do autor (2026), conferidos contra as fontes acima.