01 · O problema
Uma interface pode passar no teste e ainda bloquear alguém
Interfaces atuais acumulam animação, componentes feitos sob medida, conteúdo que só aparece com JavaScript e interações pensadas para o mouse. Cada camada é um lugar onde o teclado, o leitor de tela ou o zoom podem falhar sem que quem desenvolve perceba.
O que existia antes
Fato Antes do trabalho descrito aqui, o site já rodava o axe — um motor aberto que testa uma página contra as regras automatizáveis da WCAG, as diretrizes de acessibilidade do W3C — no CI, o sistema que executa os testes automaticamente a cada mudança. Mas só em 14 das 41 páginas, e sem os critérios da WCAG 2.2.
Quando a medição passou a cobrir todas as páginas, sobre o build de produção (a versão compilada que vai ao ar), encontrou 207 ocorrências em 36 páginas, cerca de 128 delas de texto com contraste abaixo do mínimo. A leitura do código achou ainda problemas que nenhuma regra automática apontava. Exemplo: um modal de cookies que se anunciava como modal para o leitor de tela, mas não levava o foco para dentro dele.
Evidência: auditoria inicial (accessibility-audit.md), achado G-01 · commit a5ef956.
Onde a IA entra
Fato Até 2026-10-05, 162 dos 352 commits do repositório registram coautoria de um modelo Claude (161 dos 265 que não são de merge). Todos os commits do trabalho de acessibilidade, exceto os de merge, têm essa coautoria, com os modelos Sonnet 5.5 e Opus 5.5, via Claude Code. A configuração fica na pasta .claude/ do repositório.
Para reproduzir: git log da61b0a --format=%H%n%B e contar os commits com a linha Co-Authored-By: Claude.
Inferência Um agente produz o que o contexto pede. Se o contexto não fala de foco, contraste ou leitor de tela, nada garante que o código trate disso. Por isso a premissa do trabalho: o requisito de acessibilidade precisa estar no contexto que orienta o agente, e não só numa revisão depois. Esta premissa não foi medida neste projeto; ela justificou a decisão da próxima seção.