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Especificação Conversacional

Engenharia de requisitos · agentes de IA · sistemas legados

Especificação Conversacional Estruturada

Um workflow proposto para usar modelos de linguagem (LLMs, os sistemas de IA que geram texto) na descoberta e no registro de requisitos. Quem decide são pessoas com autoridade, e as divergências entre documentação, testes e código ficam rastreáveis.

Proposta Enquadramento em desenvolvimento. O workflow completo ainda não foi comparado a uma linha de base; os componentes têm evidência parcial.

Figura 1 · O conflito que atravessa a página Cenário ilustrativo

Documentação “acima do limite, exige aprovação” Teste de caracterização “o legado aprova direto” Código novo “qual dos dois seguir?” Quem decide?
Documentação, testes e código podem dizer coisas diferentes sobre a mesma regra. Um teste de caracterização é um teste que registra o que o sistema antigo faz hoje, sem julgar se esse comportamento está correto. A figura volta resolvida em Nenhum artefato, sozinho, preserva a intenção.

Por onde você entra?

Formato
Ensaio
Profundidade
Leitura aprofundada · ~9 min para a ideia central · ~23 min completo

Prefere o essencial antes? Ler a síntese (~1 min)

Vídeo

Assista à introdução

Uma visão geral sobre como preservar a intenção do negócio no desenvolvimento de software impulsionado por IA.

Vídeo de introdução à proposta de Especificação Conversacional Estruturada, apresentado por Maurício Yokoyama Issei.

O problema Síntese

Gerar código mais rápido não preserva, por si só, a intenção de negócio

Agentes de IA interpretam instruções, consultam arquivos, propõem alterações, geram código e executam testes. Isso reduz o esforço de implementar, mas não garante que a solução corresponda ao problema que deveria resolver.

Quando o agente encadeia tarefas, uma interpretação incompleta atravessa vários artefatos antes de alguém percebê-la. O risco não é só o código errado: é uma interpretação ainda não validada virar uma implementação aparentemente consistente. Em sistemas legados (sistemas antigos que seguem em produção), o conhecimento de negócio está espalhado entre código, integrações, documentação desatualizada e a memória de poucas pessoas.

Nem o ganho de velocidade é consenso. Em uma tarefa controlada, desenvolvedores com IA terminaram mais rápido (Peng et al., 2023). Em um estudo com 16 desenvolvedores experientes e 246 tarefas reais, o uso de IA aumentou o tempo em 19% (Becker et al., 2025, preprint, ainda sem revisão por pares). Esta página não trata de velocidade, e sim do que se perde entre a conversa e o código.

Figura 2 · A cadeia de transformações

  1. conversa
  2. resumo
  3. requisito
  4. design
  5. tarefa
  6. código
  7. teste
  8. produto
Em cada passagem entre duas etapas, três coisas podem acontecer:
  • Perder contexto: o resumo descarta o que parecia detalhe.
  • Introduzir inferência: o modelo preenche uma lacuna com algo plausível.
  • Criar contradição: dois artefatos passam a dizer coisas diferentes.

Mesma falha, vista na produção: O Crash Silencioso. Base: Hou et al. (2024), revisão sistemática; atesta o uso amplo de LLMs em engenharia de software, não a eficácia deste workflow.

A causa Cenário ilustrativo

Um pedido de modernização mistura quatro coisas diferentes

O cenário, construído para esta página, é a modernização de um sistema comercial com mais de 15 anos: propostas, condições comerciais, aprovações, contratos e integração com o faturamento. As mudanças levam semanas, e poucas pessoas conhecem todas as regras. A diretoria pede:

“Precisamos modernizar esse sistema, migrando para uma arquitetura mais atual(solução pressuposta), sem interromper a operação(objetivo) e sem perder as regras de negócio existentes(objetivo).”

A frase expressa uma intenção legítima, mas não diz o que preservar, o que mudar nem como medir o sucesso. Ela junta sintomas, necessidades a investigar, objetivos e uma solução já escolhida, e cada categoria pede um tratamento diferente.

Figura 3 · O pedido anotado. A frase literal só contém objetivos e uma solução; a necessidade não aparece nela.
CategoriaNo cenárioTratamento
Sintomasmudanças demoradas, incidentes recorrentes, dependência de especialistasinvestigar a causa
Necessidades a investigarreduzir custo e risco das mudanças; depender menos de conhecimento tácito (o que as pessoas sabem e nunca escreveram)confirmar com evidência
Objetivos declarados“sem interromper a operação”, “sem perder as regras”tornar verificáveis (quais regras?)
Solução pressuposta“arquitetura mais atual”avaliar como alternativa, não como requisito

Há uma segunda causa, decisiva em legado: o comportamento atual do sistema não é necessariamente o comportamento desejado. Uma regra pode ser preservada, corrigida, substituída ou descontinuada, e a decisão depende de evidência e de autoridade de negócio, não do que o código executa hoje.

O pedido vira, então, uma sequência de decisões. Em cada etapa há um ponto em que a IA ajuda e outro em que ela pode distorcer, mapeados em Etapa por etapa.

Ver também: formular o problema antes de comprometer a solução e o levantamento do estado atual (As-Is) em legado Salesforce. Base: ISO/IEC/IEEE 29148:2018 (verificação e validação são distintas); NASA Systems Engineering Handbook (necessidades não prescrevem solução); Ferrari et al. (2016) e Burnay et al. (2014) (ambiguidades e omissões revelam conhecimento tácito; por isso vale conversar com operação, suporte e integrações, e não só ler o código).

A solução proposta Proposta

A IA pode ampliar a investigação; pessoas com autoridade decidem

Especificação Conversacional Estruturada é um workflow humano–IA, governado por artefatos e por autoridade humana, para elicitar, registrar, testar e evoluir a intenção de um sistema como requisitos e critérios verificáveis. Fontes, incertezas, decisões e forma de verificação ficam explícitas.

O modelo pode perguntar, resumir, propor cenários, apontar contradições, recuperar contexto e preparar mudanças. Por padrão, não recebe autoridade para decidir valor, risco, conformidade, aceitação ou verdade de domínio. A posição é compatível com as atividades de elicitação, análise, validação e gestão descritas na ISO/IEC/IEEE 29148 e no SWEBOK (o guia de conhecimento de engenharia de software da IEEE Computer Society). A proposta explora como a IA pode apoiar essas atividades, sem substituí-las.

Figura 4 · Conversar com IA × especificação conversacional estruturada (spec = especificação)
Conversar com IAEspecificação conversacional estruturada
Histórico livre, sem estado governadoArtefatos versionados, com ID, responsável e política de mudança
O objetivo muda sem registroProblema, critério de sucesso, escopo e fora de escopo explícitos
A decisão fica implícita na respostaDecisões, alternativas rejeitadas e perguntas abertas registradas
Fluência é o critério percebidoCritérios de aceitação e verificação auditáveis
O prompt pode ir direto ao códigoEspecificação → revisão → testes → implementação → validação
Divergência entre spec e código é invisívelDivergência detectada por links, testes e revisão
A IA pode parecer autoridadeA IA propõe; pessoas designadas decidem

Spec-first

Finalidade: alinhar a intenção antes do código.

Risco: congelar cedo uma interpretação do modelo.

Spec-retrospectiva

Finalidade: reconstruir a intenção a partir de código, logs e incidentes.

Risco: dar coerência ao que foi acidental.

Em legado, os dois modos aparecem.

A objeção mais forte: isso é engenharia de requisitos com outro nome?

Em boa parte, sim. A contribuição possível é de interface e de orquestração, e só existe se o workflow especificar entradas, portões de revisão, tipos de artefato, autoridade, proveniência (o registro de origem e de quem decidiu), política de divergência e métricas. Conversar com a IA e sair com um arquivo Markdown não é isso.

O que não é

  • Método validado ou norma.
  • Substituto de engenharia de requisitos, arquitetura, segurança ou governança.
  • Validação de negócio por aprovação em chat.
  • Garantia de completude, de ausência de alucinação ou de fim da divergência entre artefatos.
  • TDD, BDD ou Example Mapping com outro nome.

Nota de terminologia

Este enquadramento já foi chamado de Vibe Spec-ing. O nome mudou porque “vibe” sugere o contrário do que a proposta exige: registro, autoridade e verificação. Rótulos parecidos (vibe specs, vibe speccing) circulam informalmente para entrevistas com IA antes do código ou para especificações geradas de logs de agentes.

Prática relacionada: Vibe Coding com Devin, que esta proposta complementa, e a governança agent-driven. Base: SWEBOK Guide v4.0a (área de Requisitos), como referência disciplinar. Böckeler/Thoughtworks (2025) descreve “spec-driven development” como rótulo instável (spec-first, spec-anchored, spec-as-source); os usos informais (marmelab, Bechtel, McGuinness) são uso, não evidência.

O workflow inteiro Proposta

Etapa por etapa: o que a IA acelera e o que pode distorcer

Quem conhece Design Thinking reconhece quatro das cinco etapas. A quinta, especificar e evoluir os artefatos, é o acréscimo da engenharia de requisitos. Em cada etapa o ganho vem junto com um risco conhecido e um controle. É um ciclo, não uma sequência: qualquer etapa volta à anterior quando surge evidência nova. O vocabulário do Design Thinking serve de mapa; não é apresentado como prova de nada.

Figura 5 · Mapa de etapas: ganho, risco e controle
EtapaOnde a IA ajudaO que pode distorcerControleSeção
Descobrir sugerir perguntas e apontar tópicos que ninguém mencionou resumo que deforma relatos; personas sintéticas (usuários simulados por IA) podem ancorar estereótipos; ilusão de completude registrar a origem; conferir com a observação da operação e a inspeção do legado Protocolo
Definir o problema pode ajudar a separar sintoma, necessidade, objetivo e solução presumida hipótese de resultado virar requisito; solução congelada cedo decisão humana antes de formalizar; validar o entendimento não é validar o resultado Causa
Explorar exemplos gerar casos normais, de limite e negativos especificação fluente que esconde premissa falsa; conflito harmonizado em silêncio exemplos validados por quem conhece o domínio; conflito preservado, não resolvido pelo modelo Protocolo
Especificar e evoluir estruturar a especificação e propor links de rastreabilidade drift (a especificação e o código se afastam sem que ninguém perceba); perda de quem decidiu, com que evidência e o que foi rejeitado política de divergência; proveniência; rastreabilidade (a ligação entre decisão, regra, teste e código); histórico que não apaga versões Divergência
Testar e validar traduzir critérios em testes e apoiar testes de caracterização teste verde contra critérios de aceite errados, escritos pela própria IA critérios de aceite definidos por pessoas; testes independentes TDD

O protocolo Proposta Cenário ilustrativo

Cinco práticas para que a saída da IA possa ser contestada

Nesta proposta, a contribuição do modelo só conta quando suas saídas podem ser examinadas e contestadas. Comece por um fluxo representativo, não pelo sistema inteiro. No cenário, a aprovação de proposta com desconto excepcional.

  1. Registrar a origem de cada afirmação.

    Entrevista, documento, inspeção de código, observação operacional, inferência ou decisão formal. A conversa com o modelo não substitui observar a operação nem inspecionar o legado: as fontes se conferem umas às outras.

  2. Separar fatos, hipóteses e propostas.

    Uma resposta plausível do modelo não é evidência de que a regra existe.

  3. Manter as pendências visíveis.

    Incerteza relevante fica aberta, com responsável, até ser resolvida ou aceita como risco.

  4. Usar exemplos e contraexemplos.

    Situação normal, limite e exceção. No cenário: dentro do limite, aprovação automática; acima, pessoa autorizada e justificativa; dados incompletos, a proposta não avança; valor alterado após a aprovação, pode exigir nova avaliação. São hipóteses até a confirmação. O modelo sugere casos; não os promove a regra aprovada.

  5. Revisar na proporção do risco.

    Decisões comerciais, regulatórias e de integração crítica passam por quem tem autoridade.

Não é burocracia para cada frase: é conseguir distinguir o que se sabe, o que se supõe e o que se decidiu. E validar o entendimento não é validar o resultado. A conversa pode revelar se as pessoas entendem a regra de jeitos diferentes, não que a modernização vai reduzir incidentes.

Figura 6 · Registro de afirmação (cenário ilustrativo)

# Cenário ilustrativo — fluxo: aprovação de proposta com desconto excepcional
id: AF-012
afirmacao: >
  Proposta com desconto acima do limite exige aprovação
  de pessoa autorizada e registro da justificativa.
status: hipotese                    # [2] fato | hipotese | proposta | decisao
origens:                            # [1]
  - entrevista: operação comercial
  - inspecao_de_codigo: rotina de aprovação do legado
  - documento: manual de procedimentos (desatualizado)
limite_de_desconto: nao_conhecido   # [3] as fontes divergem
exemplos: [EX-01, EX-02, EX-03]     # [4] normal, limite, exceção
sugerido_pela_ia: [EX-03]           # [4] candidato; não é regra aprovada
risco: alto                         # [5] exige revisão de quem tem autoridade
decide: responsável pela política comercial
pendencia: aberta
Nenhum valor de regra é inventado: o limite aparece como nao_conhecido, que é o ponto da prática 3.
  1. [1] origens: de onde vem a afirmação.
  2. [2] status: fato, hipótese, proposta ou decisão.
  3. [3] nao_conhecido: a pendência fica visível.
  4. [4] exemplos e sugerido_pela_ia: casos normais, de limite e de exceção; a sugestão não é regra.
  5. [5] risco e decide: a revisão exigida e quem decide.

Ver também: Revelar o Implícito (inventário do estado atual), quando parar de investigar e conhecimento tipado e endereçável. Base: NIST AI 600-1 trata a confabulação (respostas plausíveis e falsas) como risco a gerenciar; W3C PROV-DM oferece um modelo de proveniência; Parasuraman & Manzey (2010) e Buçinca et al. (2021) documentam o viés de automação, e a função de forçamento cognitivo reduziu a dependência da IA em experimento; SWEBOK lista as fontes de requisitos que sustentam a prática 1.

Governança Proposta

Quem decide o quê, e o que a IA pode fazer em cada decisão

A matriz separa autoridade de assistência. É uma política de governança proposta, a ajustar à estrutura de responsabilidade de cada organização, e não uma exigência de norma.

Quando o agente também executa ferramentas, altera arquivos ou aciona pipelines, os controles passam a cobrir permissões, escopo de execução, revisão de mudanças e condições de interrupção: gerar uma sugestão e executar uma ação são níveis diferentes de autonomia. A linha dos critérios de aceite liga esta seção a TDD: a IA pode escrever o código do teste, mas o resultado esperado vem de quem tem autoridade sobre a regra.

Figura 7 · Matriz de autoridade (a versão com a coluna “revisão obrigatória” está no kit)
DecisãoAutoridade primáriaContribuição possível da IA
Valor e prioridade de negócioProduto e negócioComparar alternativas e impactos
Preservar ou alterar regras comerciaisResponsáveis pelo domínioIdentificar ambiguidades e casos-limite
Critérios de aceitaçãoNegócio e engenhariaPropor formulações e exemplos de teste
ArquiteturaEngenharia responsávelSugerir alternativas e trade-offs
Compatibilidade de integraçõesEngenharia e responsáveis pelas integraçõesMapear contratos e possíveis impactos
Aceitação de risco residualResponsáveis formalmente designadosIdentificar cenários e apoiar a análise
Redação da especificaçãoEquipe responsável, com revisãoEstruturar e reformular conteúdo
Critérios de aceite (o resultado esperado)Negócio e engenhariaGerar candidatos para validação
Código de testeEngenharia e QAEscrever o código; os critérios vêm da linha acima
Classificação de uma divergênciaResponsável pelo artefato afetadoDetectar possíveis conflitos
Modelo / agenteNenhuma autoridade substantiva por padrãoPropor, recuperar, transformar; executar só no escopo autorizado

Ver também: De Executor a Orquestrador Cognitivo e Você não é mais um executor, sobre o papel humano que a matriz formaliza; Autonomia não é autoridade: o Action Gateway, sobre os controles quando o agente executa. Base: a redação é inspirada na função Govern do NIST AI RMF 1.0 (papéis e prestação de contas); NIST AI 600-1 (configuração humano–IA); ISO/IEC/IEEE 29148 (partes interessadas e gestão de requisitos).

Divergência Proposta Cenário ilustrativo

Nenhum artefato, sozinho, preserva a intenção

Documentação, testes e código tendem a divergir à medida que o sistema evolui. O que importa é quem resolve, como, e onde a decisão fica registrada.

Cada artefato tem uma responsabilidade e um limite. As regras de negócio registram políticas aprovadas, mas não garantem a implementação. Os testes de caracterização registram o legado, inclusive defeitos e regras obsoletas. O código implementa uma versão, mas não comprova aderência à intenção. Não há fonte universal de verdade.

A divergência (em inglês, drift) é a situação em que artefatos que deveriam dizer a mesma coisa passam a dizer coisas diferentes. A política proposta tem cinco passos, mostrados abaixo no exemplo do desconto.

Figura 8 · Um conflito, do início ao fim (DIV-007 → DEC-031)

  1. Identificar

    O teste de caracterização mostra que o legado aprova um desconto acima do limite sem aprovação. A regra AF-012 diz o contrário.

  2. Classificar a causa provável

    Informação incompleta, defeito, mudança de regra, obsolescência ou erro de implementação. Aqui, provável defeito; a hipótese ainda não é decisão.

  3. Identificar quem decide

    O responsável pela política comercial.

  4. Registrar a decisão

    DEC-031, com justificativa, impacto e artefatos afetados.

  5. Atualizar e verificar de novo

    Um teste de aceitação com os critérios de aceite em AF-012 e DEC-031. O teste de caracterização fica, rotulado como evidência sobre o legado.

Documentação AF-012 confirmada na decisão DEC-031 Teste de caracterização evidência sobre o legado (DIV-007) Código novo segue a decisão DEC-031 Decisão registrada
O mesmo triângulo da Figura 1, resolvido. A decisão é do responsável pela política comercial; o modelo pode ter detectado o conflito, mas não o resolveu.

O caso inverso: se o código novo não satisfaz um critério aprovado, mudar o critério exige decisão explícita. Editar o teste para ele passar é uma decisão sem registro. A rastreabilidade vale nas duas direções (decisão → critério → teste → componente; falha → regra a revisar), com profundidade proporcional à criticidade e à exigência de auditoria. O objetivo não é impedir toda divergência, mas torná-la detectável, explicável e tratável.

Figura 9 · O que fazer em cada situação identificada
Situação identificadaTratamento proposto
Comportamento intencional e ainda válidoPreservar e documentar
Defeito conhecidoCorrigir com aprovação e testes
Regra obsoletaDescontinuar mediante decisão explícita
Informação insuficienteInvestigar e manter a pendência visível
Dependência de integraçãoDefinir compatibilidade e estratégia de transição
Os oito artefatos, sua responsabilidade e seu limite
ArtefatoResponsabilidadeLimite
Contexto e objetivosRegistrar o problema e os resultados esperadosNão comprova que a solução alcançará os resultados
Regras de negócioRegistrar políticas aprovadasNão garante a implementação correta
Exemplos e critérios de aceitaçãoExpressar comportamentos esperadosNão garantem a completude do domínio
Testes de caracterizaçãoRegistrar comportamentos observados no legadoPodem capturar defeitos e regras obsoletas
Testes de aceitação e regressãoVerificar comportamentos selecionadosNão comprovam todas as propriedades do sistema
Contratos de integraçãoDefinir compatibilidade esperadaNão eliminam todos os riscos de evolução
Registros de decisãoPreservar justificativas e alternativas consideradasNão garantem que uma decisão continuará adequada
CódigoImplementar o comportamento em uma versão específicaNão comprova, por si só, aderência à intenção
Os dez estados de uma divergência
  • não conhecido
  • ambíguo
  • spec desatualizada
  • teste sem requisito
  • requisito sem teste
  • código fora da spec
  • produção divergente
  • risco aceito
  • bloqueado
  • resolvido

No workflow proposto, o agente não harmoniza silenciosamente versões conflitantes: se não puder demonstrar a relação, registra “não conhecido”.

Os modelos de registro de divergência e a lista de estados estão no kit: baixar o kit (.md).

A mesma tese pelo ângulo do grounding (ancorar a resposta em fontes): Cinco fontes de verdade, cada uma com autoridade limitada e Evidence Record: o recibo de cada validação. Para a arquitetura auditável, ver Arquitetura de IA auditável. Base: Gotel & Finkelstein (1994) sobre rastreabilidade antes e depois da especificação; Rempel & Mäder (2017) associam rastreabilidade mais completa a menos defeitos, em 24 projetos de código aberto (associação, não causa); Fucci et al. (2022) mostram que links ausentes entre requisitos e testes impediram avaliar uma intervenção de qualidade.

Especificação e TDD Síntese Evidência

A especificação decide o que verificar; o TDD verifica

Um termo antes de seguir: critérios de aceite são a fonte do resultado esperado com o qual o teste compara o comportamento observado.

A diferença entre as abordagens é a unidade de controle. O TDD (escrever um teste que falha, o código mínimo para ele passar, e então refatorar) responde “qual é o próximo menor incremento e como verifico que ele continua funcionando?”. A especificação responde “qual problema, para quem, com quais regras, restrições e critérios?”. O TDD torna o feedback barato; não torna os critérios de aceite corretos. Sem intenção e escopo, o TDD pode testar a coisa errada com eficiência. Sem critérios de aceite executáveis, a especificação pode documentar uma intenção errada.

Há um risco específico de agentes: quando o mesmo modelo escreve a especificação e os testes, um teste verde pode apenas confirmar o erro do próprio modelo. O controle é o resultado esperado ser definido ou validado por pessoas antes de o teste ser gerado (a linha dos critérios de aceite em Quem decide o quê), e cada critério crítico ter ao menos um teste que não nasceu do mesmo prompt nem do mesmo contexto.

Em legado, três tipos de teste têm papéis diferentes: caracterização (o que o legado faz hoje), aceitação (os critérios aprovados) e TDD (a implementação local). Uma sequência possível: caracterizar o legado, validar as regras com quem decide, escrever testes de aceitação, implementar com TDD, comparar resultados e liberar com monitoramento, critério de interrupção e reversão.

Figura 10 · O mesmo fluxo, duas perguntas diferentes Cenário ilustrativo

// Caracterização: registra o que o legado FAZ hoje — não o que deve fazer.
// Divergência DIV-007 aberta: a política atual proíbe este comportamento.
test('legado: aprova desconto acima do limite sem aprovação', () => {
  expect(legado.avaliar(propostaAcimaDoLimite()).status).toBe('APROVADA');
});

// Aceitação: os critérios de aceite vêm de AF-012, confirmados na decisão DEC-031.
// O teste verifica a regra; quem a definiu foi o responsável pela política.
test('proposta acima do limite aguarda aprovação e exige justificativa', () => {
  const r = avaliarProposta(propostaAcimaDoLimite());
  expect(r.status).toBe('AGUARDANDO_APROVACAO');
  expect(r.pendencias).toContain('JUSTIFICATIVA');
});
O primeiro teste descreve o legado, e o segundo, a regra decidida. Os dois podem coexistir: o primeiro é evidência, o segundo é critério.
Especificação × TDD, critério a critério
CritérioEspecificação conversacionalTDD
PropósitoReduzir a perda de intenção entre conversa, requisitos, código e testesGuiar design e implementação incremental por testes executáveis, com feedback rápido
Unidade de controleIntenção de produto, regras, restrições e critériosComportamento observável do código, em geral função, classe ou módulo
Critérios de aceiteSó é verificável se cada requisito tem condição observável, limites e procedimento; texto fluente ou aprovação humana não bastaUm teste verde garante apenas que o comportamento exercitado satisfaz os critérios de aceite codificados naquele ambiente
DivergênciaRisco elevado de spec drift; exige política explícita, versionamento e detecçãoDetecta regressão no que é exercitado; testes podem ficar obsoletos ou ser alterados para acomodar o código
EvidênciaComponentes com estudos isolados; workflow completo sem estudo localizadoEfeito pequeno e contextual (ver abaixo)

A evidência sobre o TDD é maior que a deste workflow, e contextual. Rafique & Mišić (2013), em uma meta-análise de 27 estudos, encontraram efeito pequeno em qualidade e pouco ou nenhum em produtividade. Tosun et al. (2017), com 24 profissionais, não acharam diferença estatística de qualidade externa e viram queda de produtividade na tarefa complexa em código existente. Nagappan et al. (2008), em quatro equipes de IBM e Microsoft, observaram densidade de defeitos 40–90% menor e 15–35% mais tempo de desenvolvimento, com ameaças à validade declaradas pelos autores. Liu et al. (2023, EvalPlus) mostraram que testes ampliados encontram erros que os testes originais deixam passar. A conclusão é que a proposta não reivindica superioridade sobre o TDD nem o substitui: fornece contexto e decisões; o TDD fornece feedback local e proteção contra regressão.

Ver também: a falha que 54 testes não pegaram, Passar no teste não é o mesmo que estar certo, da spec ao Apex Test, na prática Salesforce, a mesma lógica em acessibilidade e do legado (As-Is) ao alvo (To-Be). Base: Beck (2002), TDD; Feathers (2004), testes de caracterização em código legado.

Medir e limites Não validado Evidência

O que medir, e o que esta proposta ainda não prova

Uma modernização não está concluída porque o código foi reescrito. Os indicadores abaixo precisam de definição operacional, linha de base e período de observação; mais documentos ou testes não provam, sozinhos, que o sistema ficou mais sustentável. As definições completas (recall de requisitos, ambiguidade residual por 100 requisitos, precisão e recall de links, métricas DORA) estão no kit.

Processo

  • Regras críticas identificadas e validadas.
  • Critérios cobertos por ao menos um teste independente (não gerado do mesmo prompt da especificação).
  • Divergências entre especificação, testes e produção por release, por gravidade.
  • Afirmações e decisões com proveniência completa: fonte, autor, data e justificativa.
  • Tempo para reconstruir a justificativa de uma decisão antiga.

Resultado operacional

  • Tempo para entender e implementar uma mudança de regra.
  • Incidentes, regressões e correções emergenciais após a liberação.
  • Retrabalho atribuído à divergência entre intenção e implementação, mensurável porque a política de divergência classifica a causa.

Escada de evidência

Subir um degrau exige evidência nova; o degrau de baixo não prova o de cima.

  1. 1. Capacidade do agente Estudado em tarefas isoladas
  2. 2. Qualidade do artefato Estudado em tarefas isoladas
  3. 3. Resultado da tarefa Sem estudo do workflow completo
  4. 4. Resultado operacional Sem estudo do workflow completo
  5. 5. Resultado de negócio Sem estudo do workflow completo

O que a literatura permite dizer hoje

LLMs mostram capacidade parcial em tarefas controladas de elicitação, geração de especificação e detecção de ambiguidade, com falhas em terminologia de domínio, interfaces e restrições. A pesquisa é majoritariamente de laboratório, e LLMs como revisores de requisitos tiveram resultados inconsistentes. Não foi localizado estudo controlado ou longitudinal do workflow completo frente a uma linha de base alinhada à ISO/IEC/IEEE 29148 e ao SWEBOK.

Como avaliar no seu contexto

Um desenho de avaliação proposto para este contexto, não um protocolo validado.

  1. Montar um pacote de referência independente

    Necessidades, regras, restrições e casos de fronteira, antes ou em paralelo à elicitação.

  2. Conduzir a elicitação com IA registrando a fonte

    Separando fato, inferência e proposta.

  3. Revisão independente

    Por pelo menos duas pessoas do domínio.

  4. Medir em quatro pontos

    Depois da definição, da especificação, da implementação e da operação.

  5. Publicar prompts, versões de modelo, artefatos e decisões de adjudicação

    Respeitando a privacidade.

  6. Tratar qualquer melhoria como evidência local

    Não como validação geral do workflow.

A comparação com uma linha de base humana ou híbrida e as hipóteses H1–H4 estão no kit.

Ver também: como refutar uma hipótese, o que um artigo ainda não prova, sustentação, para incidentes e correções emergenciais como indicador, e o custo total da IA, inclusive inferência e revisão. Base: ISO/IEC/IEEE 15939:2017 (medição com linha de base) e ISO/IEC 25010:2023 (qualidade de produto) servem de referência para definir indicadores; DORA (tempo de entrega, falha de mudança, recuperação) entra como indicador operacional. Os estudos de LLMs em requisitos estão no grupo 2 das Referências.

Por onde começar

Comece por um fluxo, não pelo sistema inteiro

Escolha um fluxo representativo, aplique as cinco práticas, registre a primeira divergência e decida quem a resolve. Sem promessa de resultado: o objetivo é ter algo que possa ser examinado e contestado.

Kit de artefatos (Markdown)

  • Matriz de autoridade editável, com a coluna de revisão obrigatória.
  • Modelo de registro de afirmação.
  • Registro de divergência, com estados e roteamento por tipo de conflito.
  • Checklist mínimo de divergência (drift).
  • Protocolo de avaliação resumido: hipóteses, linha de base, métricas e escada de evidência.

Continue no ecossistema

Procedência

Referências e procedência

Normas e guias são fundamento do desenho, não experimento: nenhuma delas valida este workflow. As referências estão agrupadas pelo tipo de evidência.

1. Normas e guias

2. Estudos empíricos

3. Prática e livros

4. Uso informal do rótulo (uso, não evidência)

5. Páginas do autor

Autorais: evidência do que o autor afirma, não validação independente.

Procedência: síntese de documentos de pesquisa do autor (2026), conferidos contra as fontes acima.

Em síntese

O que é a Especificação Conversacional Estruturada

A Especificação Conversacional Estruturada é uma proposta de workflow em que a IA ajuda a elicitar e registrar requisitos: faz perguntas, compara interpretações e sugere exemplos. Quem decide são pessoas com autoridade. Cada afirmação tem origem e status, e as divergências entre documentação, testes e código seguem uma política explícita. A eficácia do workflow completo ainda não foi avaliada.

Parte do mesmo método de A Engenharia da Confiança e da prática de Vibe Coding com Devin: a intenção registrada, com autoridade humana, antes ou depois do código.

Perguntas frequentes

Perguntas frequentes

O que é Especificação Conversacional Estruturada?

É um workflow humano–IA, governado por artefatos e por autoridade humana, para elicitar, registrar, testar e evoluir a intenção de um sistema como requisitos e critérios verificáveis. Fontes, incertezas, decisões e forma de verificação ficam explícitas. É uma proposta em avaliação, não um método validado nem uma norma.

Qual é a diferença entre esta proposta, o Vibe Spec-ing e o Spec-Driven Development?

Vibe Spec-ing foi o nome anterior deste enquadramento. Mudou porque "vibe" sugere o contrário do que a proposta exige: registro, autoridade e verificação. Spec-Driven Development é um rótulo ainda instável para práticas em que a especificação vem antes do código (spec-first, spec-anchored, spec-as-source). A Especificação Conversacional Estruturada é um workflow específico dentro desse espaço, com autoridade humana e política de divergência explícitas.

A IA pode aprovar requisitos ou regras de negócio?

Não, por padrão. O modelo pode perguntar, resumir, propor cenários, apontar contradições e preparar mudanças, mas não recebe autoridade para decidir valor, risco, conformidade, aceitação ou verdade de domínio. A matriz de autoridade atribui cada decisão a pessoas designadas. É uma política de governança proposta, a ser ajustada a cada organização.

Isso substitui o TDD ou os testes de aceitação?

Não. Eles atuam em níveis diferentes: a especificação define qual problema resolver, para quem e com quais critérios; o TDD verifica o próximo incremento de código. O TDD torna o feedback barato, mas não torna os critérios de aceite corretos. Quando o mesmo modelo escreve a especificação e os testes, um teste verde pode apenas confirmar o erro do próprio modelo. Por isso, o resultado esperado é definido ou validado por pessoas.

Serve para sistemas legados?

A proposta foi pensada para esse caso. Testes de caracterização registram o que o legado faz hoje, e a decisão de preservar, corrigir, substituir ou descontinuar cada regra cabe a quem tem autoridade de negócio. O risco declarado é a pós-racionalização: dar coerência ao que foi acidental ao reconstruir a intenção a partir do código.

Há evidência de que funciona?

Para componentes isolados, parcial: estudos mostram capacidade parcial de LLMs em elicitação, especificação e detecção de ambiguidade, em tarefas controladas. Para o workflow completo, não foi localizado estudo controlado ou longitudinal frente a uma linha de base alinhada à ISO/IEC/IEEE 29148 e ao SWEBOK. A página propõe um protocolo para avaliar o workflow no seu próprio contexto.